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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fachada da vergonha

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Esta tarde abro a janela, aceito a fúria com que o vento explode contra mim e desejo com ardor: que a tempestade que esperamos se abata com toda a brutalidade sobre o edifício que é vergonha por todos e mais motivos. Olho na sua direcção e desejo-o como anseia a luz quem se encontra soterrado.

22 de Fevereiro de 2006. 27 de Fevereiro de 2010.
E tudo na mesma.

sábado, 19 de abril de 2008

A culpa foi da água

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Legenda: "O meu nome era Gisberta/ Fui torturada, violada, assassinada/Para a Justiça eu morri afogada/E a culpa foi da água
Agora já podemos ir para casa descansados/as: A culpa da morte de Gisberta foi da água. E, como a água é inimputável (não tarda virá o CDS-PP exigir que isso se altere), nada feito... Agora que a justiça foi feita, assunto encerrado: não falemos mais nisso.

p.s.: senhores e senhoras jornalistas, não será chegada a altura de aprender alguma coisa sobre transexualidade?! Gisberta não é "o transexual", é "A transexual"!!!
p.s.2: senhores e senhoras jornalistas, transexualidade e homosexualidade são coisas diferentes... são mesmo, acreditem. Por isso, o DN prestou um péssimo serviço (reparem no título da notícia).

Sou completamente a favor da edificação de um memorial para Gisberta

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma maravilhosa homenagem a Gisberta

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O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda promoveu na passada sexta-feira, pelas 17h30 na Sala Alexandre Herculano (Palácio de São Bento) uma Audição Parlamentar sobre a realidade da discriminação dos e das transexuais e transgéneros em Portugal.


Esta iniciativa tem lugar dois anos após o dia do assassinato de Gisberta, no Porto. Trata-se da primeira vez que associações e activistas transexuais são ouvidos no parlamento. Deste modo, pretende-se assinalar o dia 22 de Fevereiro, que ficou marcado há dois anos como o dia em que a violência sobre @s transexuais ganhou maior visibilidade pública no nosso país, por causa do assassinato violento de Gisberta, no Porto. Para esta audição foram convidadas várias associações e activistas transexuais. O Bloco pretendeu assim ouvir aqueles e aquelas que têm um maior conhecimento desta realidade, que permanece invisível e sem enquadramento legal.


Aqui está um exemplo de grandeza cívica e política. Porque política é muito mais do que défice, obras públicas, terrorismo, dança de ministros, ... a política faz-se no dia-a-dia, na rua, à chuva, junto das pessoas. Reparem bem: foi a primeira vez que uma pessoa transexual entrou no parlamento português! 2008! Por isso, muitos parabéns ao Bloco e às associações e activistas presentes. Esta foi a homenagem que a Gisberta merecia; um momento profundamente comovedor que fez pensar em muita coisa e que me ajudou a crescer mais um pouco.


Fica o vídeo com excertos do que aconteceu sessão, que só hoje consegui publicar uma vez que estava desde sexta-feira a ser editado. A liberdade está a passar por aqui. E o futuro também.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Gisberta, hoje e sempre!

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Hoje trago-vos uma preciosidade, um texto maravilhoso de Sérgio Vitorino , membro dos Panteras Rosa - O conflito sexual no seu auge e o medo de ousar.

Leiam, com tempo, devagar, com incenso e música ambiente. E com alma, porque é de alma que se trata.

Para ti, Gisberta, por ti!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Foi há 2 anos...

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Os becos da vergonha, escuros como outrora, vão sendo povoados. O chão continuará gelado, húmido, arrepiantemente cru aos nossos ossos. Deito-me, sinto a sua invasão e aceito. Aceito, quero, exijo aqui ficar para sempre até me corroeres todo, por todo, de todo o modo, todos os segundos! Mas permaneço eu... sempre eu, sempre o mesmo aos olhos que passam e não me vêem, que nunca me vêem a ter vontade de apodrecer de asco, a derreter de vergonha! - Vejam, olhem! E vêem, e olham, e permaneço igual. A ordem no nascer, a asfixia dos dias normais, a indecência de ser maioria! Sou-o, mas não tenho culpa! Quero culpados, vejam: é tudo fachada, como tudo, como os vossos gestos, os vossos rostos, as vossas vidas! Ide, venham, corram, cobardes! Na cobardia da vossa indiferença, no vilipêndio de cada olhar em frente: eu EXISTO! Que linda a vossa ordem: vai por onde ele vai, o rio corre sempre para o mesmo destino - sei que hoje vai chover em cada centímetro de chão e que vai limpar da cidade cada fluido do pecado, cada gota de sangue roubada, cada nojeira se ser. Mas tens uma capa e a noite não cai sobre ti. Mas a noite, varrida pela borrasca justa é toda minha, é toda nossa, que do chão cinzento fazemos leito.
2 anos e o rio douro é o mesmo. As ruas são as mesmas e com mais gente, as noites são igualmente gélidas de gente e o meu corpo continua no chão: inerte, cinzento, feito folhas que caem, entregue, à espera de me fundir contigo, Gisberta...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Gisberta somos tod@s nós

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Pouco me importa as penas aplicadas aos criminosos. Mais importante, para mim, é o epifenómeno LesBiGayTransFobia. Por isso, a morte de Gisberta não foi um episódio; a morte de Gisberta foi a sociedade portuguesa no seu melhor. Aqueles jovens, naqueles momentos de bestialidade, foram a face, a materialização de uma cultura terrorista na sua relação com as minorias. Estes laivos da impostura portuguesa, aqui expresso em todo o seu esplendor, têm que ser combatidos por tod@s! Unid@s pela diferença e pela singularidade!

Nota: deixo-vos este quadro que Vicente Andréu pintou em homenagem a Gisberta Salce Júnior durante uma das intervenções das Panteras Rosa.